Nossos Negros do Interior​

Maria Aparecida Paulino – Conhecida como “Dona Maria Benzedeira”​

Nascida em 12 de fevereiro de 1926, filha de Malvina de Jesus e José Antônio Paulino, Dona Maria e seus pais, todos naturais de Motuca, Minas Gerais.
Dona Maria era mulher boa e caridosa, sempre pronta a ajudar. Começou a benzer com 12 anos para aliviar todos aqueles que a viessem procurar.
Com certa idade se casou mudando-se com seu esposo para outra cidade. Teve 15 filhos, sendo três das suas gestações de casais de gêmeos. Maria juntamente e seu esposo trabalharam muito e junto a seus filhos passaram pelas cidades de Jardinópolis e Pontal, até chegar a Pitangueiras.

Quando chegou a Pitangueiras, Dona Maria tinha apenas 09 dos seus 15 filhos, pois os casais de gêmeos já haviam falecido. Mulher de garra e coragem trabalhava na colheita de milho junto a seu marido e quando chegava em casa, além dos afazeres e dos filhos para cuidar, deparava-se com filas de pessoas esperando para serem benzidas.
Seu dom ajudava a muitos enfermos, que na maioria das vezes não tinham condições de se tratar. Também exercia sua caridade como parteira, Dona Maria até outras cidades as gestantes que entravam em trabalho de parto e muitas vezes realizava o parto a caminho do hospital.

Dona Maria tinha, sobretudo, o dom de ajudar, sem nada pedir em troca. Muitas histórias comprovam que a sua fé fazia muito por aqueles que a visitavam. Mesmo depois do falecimento do seu esposo, muitos anos antes de sua morte e com todas as dificuldades que a vida lhe trouxe, Dona Maria nunca desanimou e em nenhum momento sequer deixou de cumprir com sua missão nesse mundo.

Com a idade avançada e problemas de saúde ao final da vida, ela ficou sob cuidados de duas filhas, Fátima e Maria e veio a óbito no dia 21 de outubro de 2013.

Dona Maria viveu por aproximadamente 50 anos em nossa cidade e por onde se fala o seu nome, apenas a lembrança de um legado de fé, caridade e muito trabalho…

Francisco Vicente – Conhecido como “Chicão”

Chicão foi caboclo do sítio que acredita-se ter nascido no ano de 1889 no recôncavo baiano.
Chegou a Pitangueiras ainda jovem, com aproximadamente 18 anos vindo com seu pai, que era escravo de uma fazenda da região de Feira de Santana, trazendo uma tropa de burros a alguma fazenda da região. Decidido a não voltar para a Bahia, onde a escravidão ainda era uma realidade e após muitas andanças, Chicão passou a trabalhar e a morar em uma casa no sítio chamado “Cruz de Ferro” que pertencia à família de “Tó Ripamonte”.

Além de trabalhar na lida rural, Chicão fazia tudo o que era necessário para ajudar, tanto àqueles que o acolheram quanto a todos os que dele precisavam.
Negro de bom coração que respeitava todos sem distinção, nosso amigo Chicão era muito prestativo, tinha uma fé inabalável e era bom conselheiro, tendo sempre uma palavra amiga para quem dela precisasse.

Chico teve uma vida simples e sofreu muito preconceito, mas nada disso fez com que ele algum dia se abalasse ou retrucasse algum desaforo que viesse de alguém. Ele acreditava na caridade e ainda que em outra cidade um dia iria reencontrar seus pais para poder prosear e contar suas histórias vindas de belas memórias que o tempo o presenteou.

Para todos nós Chicão deixou uma lição, de respeito, de amor ao próximo e de gratidão. Ele tinha verdadeira adoração pela família Ripamonte que o acolheu quando chegou a Pitangueiras e por eles viveu enquanto Deus permitiu.
Chicão faleceu em 22 de fevereiro de 1997, no Asilo São Vicente de Paula com aproximadamente 108 anos de idade, já que ninguém tinha certeza de sua data de nascimento.
Deixando um grande vazio Chicão se foi desse mundo sombrio deixando aqui seus exemplos de amor, caridade, dignidade e respeito ao próximo. Muitas histórias são contadas, mas nada se compara a trajetória consagrada do nosso eterno Chicão.

 

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